sexta-feira, 30 de março de 2012

PÁSSARO FERIDO


Pássaro ferido na fria calçada
Como um condenado a viver ao chão,
Quem se importa com sua asa quebrada?
Seus sonhos alados na imensidão?...

Qual o motivo? Qual foi a razão

Dessa maldade contra um indefeso?
Inveja do vôo?... Da sua emoção?...
-Pássaro ferido também ‘stá preso!

Oh dias vividos! Oh noites sonhadas!
Por que tanto ódio, pessoas malvadas?
As asas do sonho - por que quebrar?...

Às vezes me sinto, em horas marcadas,
Qual passarinho de asas quebradas...
Por tanto viver na vida a sonhar!

Antonio Costta


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

POETAS

"VERDE QUE TE QUERO VERDE!"



(Inspirado no verso de Frederico Garcia Lorca)

"Verde que te quero verde"
Na floresta enverdecida;
Verde cada vez mais verde
No palco verde da vida!
Como era a vida tão verde,
Como era tão verde a vida!
Verde vida vida verde
verde verde vida vida!
Mas o verde que gera vida
Fora dos olhos mais verdes
Virou deserto sem vida
Virou floresta queimada,
Virou poeira e carvão
Que se levanta na estrada!
Virou conjunto de casas
Virou um solo asfaltado.
Oh! Homem que o verde tira,
Que atira fogo no verde,
Por que fazer sua mira
No alvo verde da terra?
Não vê que faz uma guerra?
Que contra a si mesmo atira?
E quando que verde vira
É diferente a sua lira!
É um verde horizontal
Do vasto canavial;
Não é verde replantado,
É verde vasto de soja
E dos cercados de gado!
Pois acha mais importante
Enriquecer num instante,
Empobrecendo o futuro.
Não ter oxigênio puro,
Não ter floresta nem nada,
Não ter pássaro que cante,
Não ter uma onça pintada;
Um verde mais verdejante...
Viçoso com a invernada!
Antonio Costta
(Poema publicado no meu livro
CHUVA DE POESIAS)

SER UM POETA CRISTÃO



UM POETA CRISTÃO

Eu escrevo como quem dá conselhos
E como quem ora, a Deus, de joelhos.
Eu escrevo alegre como quem canta
E sei que meu verso, o mal, ele espanta!

Às vezes, também, escrevo chorando,
Com lágrimas quentes se derramando;
Porque este mundo me traz sofrimento
Mas Cristo Jesus me dá Seu alento.

Por isso em meus versos - prego a verdade,
Como um profeta da antiguidade,
Dizendo que Cristo é o Salvador!...

Que importa que digam: teu verso é vão;
Vou prosseguir um Poeta Cristão,
Pregando a Jesus, o meu redentor!



ANTONIO COSTTA



quarta-feira, 5 de outubro de 2011

EM ORAÇÃO

CONSELHOS DE PAI




AI QUEM ME DERA!


Ai quem me dera
Voltar ao tempo
Que da varanda
Se ouvia a banda
Tocando marcha
Ou minueto
Lá no coreto
No meio da praça.

Ai quem me dera
Voltar ao tempo
Em que do trem
Vinha a fumaça.
Em que pulávamos
Da velha ponte,
Pra que se conte,
Só por pirraça!

Ai quem me dera
Voltar ao tempo
Em que o melaço,
Pelo bueiro,
Ganhava espaço
No mundo inteiro.
Quando a doçura
Da rapadura
Vinha no cheiro!

Ai quem me dera
Voltar ao tempo
Em que jogava
Forte o pião
E ele girava
Riscando o chão,
Depois na palma
Da minha mão!

Ai quem me dera
Voltar ao tempo
Das brincadeiras
De bolas de gude,
De amarelinha,
De passa anel,
De pular corda,
De empinar pipa
Perto do céu!

Ai quem me dera
Voltar ao tempo
Em que eu tomava
Banho de chuva,
Banho de açude,
Banho de rio,
Sem temer gripe,
Sem sentir frio!

Ai quem me dera
Voltar ao tempo
Que não existia
Tecnologia,
Mas se vivia
Mais emoção,
Mais alegria,
Mais afeição!

Ai quem me dera
Voltar ao tempo
Em que o tempo
Passava em vão?
-claro que não-
Em que não tinha
Só depressão,
Só violência
E solidão!

Ai quem me dera
Voltar ao tempo
Da minha infância
No meu torrão;
Viver os sonhos,
As brincadeiras
Que guardo ainda
No coração!

ANTONIO COSTTA